Trocar o piso, fechar a varanda, reformar o banheiro: quem mora de aluguel por anos acaba investindo no imóvel. Mas o que acontece com esse investimento quando o contrato termina? A resposta está nos arts. 35 e 36 da Lei nº 8.245/1991 — e em uma cláusula de contrato que a maioria assina sem ler.

Os três tipos de benfeitoria

TipoO que éExemplosÉ indenizável?
NecessáriaIndispensável à conservação do imóvelReparo estrutural, conserto de telhado, correção de infiltraçãoSim, mesmo sem autorização (art. 35)
ÚtilAumenta ou facilita o usoFechar varanda, grade de segurança, armário embutidoSim, se autorizada pelo locador (art. 35)
VoluptuáriaMero deleite ou embelezamentoPapel de parede decorativo, lustre importado, paisagismoNão; pode ser levantada se não afetar a estrutura (art. 36)

Direito de retenção

Além da indenização, as benfeitorias necessárias (e as úteis autorizadas) podem gerar direito de retenção: o inquilino pode, em tese, permanecer no imóvel até ser indenizado. É um direito forte — e exatamente por isso os contratos costumam afastá-lo.

A cláusula de renúncia (e a Súmula 335 do STJ)

A maioria dos contratos de locação traz uma cláusula em que o inquilino renuncia à indenização por benfeitorias e ao direito de retenção. O Superior Tribunal de Justiça considera essa cláusula válida (Súmula 335). Na prática:

Regra de bolso: obra em imóvel alugado só com autorização por escrito. O que não está documentado, juridicamente não aconteceu.

Benfeitoria × dano: dois lados da mesma prova

Há ainda um risco pouco falado: a modificação feita sem autorização pode ser tratada não como benfeitoria, mas como alteração indevida do imóvel — e o locador pode exigir o desfazimento na saída. A fronteira entre “melhorei o imóvel” e “alterei o imóvel sem poder” passa pela autorização e pelo estado inicial documentado. É a mesma lógica da distinção entre desgaste natural e dano: sem o registro de entrada, tudo vira narrativa.

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Checklist antes de fazer obra no imóvel alugado

  1. Confira se o contrato tem cláusula de renúncia a benfeitorias;
  2. Peça autorização por escrito do locador, descrevendo a obra;
  3. Negocie o destino do investimento: indenização, abatimento ou levantamento na saída;
  4. Documente o antes (laudo de entrada ou fotos datadas) e o depois;
  5. Guarde todas as notas fiscais.

Na devolução, o laudo de saída fecha o ciclo: mostra o imóvel com as benfeitorias (ou com o desfazimento combinado) e evita desconto indevido na caução.

Antes da reforma, o registro

A VistoriaJá documenta o estado do imóvel em minutos — fotos guiadas pelo celular e laudo datado e geolocalizado na hora, pronto para anexar ao contrato.

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Perguntas frequentes

O que é benfeitoria necessária no aluguel?

É a intervenção indispensável à conservação do imóvel — como reparar um telhado que ameaça ceder ou uma infiltração que compromete a estrutura. Pela lei, é indenizável mesmo sem autorização do locador e pode gerar direito de retenção (art. 35).

Reforma que valoriza o imóvel dá direito a indenização?

Se for benfeitoria útil (aumenta a utilidade, como fechar uma varanda), só é indenizável se o locador autorizou. Se for voluptuária (mero embelezamento), não é indenizável, mas pode ser retirada pelo inquilino ao sair, desde que a retirada não afete a estrutura (art. 36).

A cláusula de renúncia a benfeitorias vale?

Em regra, sim. A Súmula 335 do STJ considera válida a cláusula de renúncia à indenização e ao direito de retenção nos contratos de locação. Por isso é essencial ler o contrato antes de investir em obras no imóvel alugado.

Como provar quais benfeitorias eu fiz?

Comparando o estado do imóvel na entrada com o estado atual. O laudo da vistoria de entrada documenta o que já existia; notas fiscais e fotos datadas documentam o que você acrescentou. Sem o registro inicial, é difícil demonstrar que a melhoria foi sua.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Referências à Lei nº 8.245/1991; para casos concretos, consulte um advogado. O laudo VistoriaJá é um registro descritivo elaborado a partir das imagens enviadas pelo cliente e não substitui laudo técnico de engenharia ou arquitetura.